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Criticar Israel É Anti-Semitismo?

Pode-Se Dizer Que Israel É Um País Com Um Sistema De Apartheid?

Por Jared Israel

Tradução para o português por Heitor de Paola
[publicado
em inglês em 27/01/2004; tradução 07/02/2004]

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O artigo abaixo desmascara uma mentira bastante difundida na atualidade. É muito comum ultimamente que, para atacar Israel, diga-se que lá impera um sistema de apartheid contra os árabes palestinos. O Editor de Emperor’s Clothes, Jared Israel, examina uma “prova” para esta acusação e descobre que ela não passa de uma mentira esperta. Segundo Jared Israel, a resposta para a pergunta “não se pode criticar Israel?” é que esta é a pergunta errada. A pergunta certa é: “não se pode mentir sobre Israel?” A comparação entre a África do Sul do apartheid e Israel, como mostra este artigo, não sobrevive a uma análise séria e chega mesmo a ser absurda. Jared Israel também combate a associação feita pelos defensores da OLP entre sua ideologia e aquela de Martin Luther King, demonstrando tratar-se de mais uma mentira.

Segue o texto de Jared Israel…

-- John Flaherty
Auxiliar de Editoria, Emperor's Clothes

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Análise

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No ano passado recebi vários e-mails denunciando a existência de um sistema de apartheid no Estado de Israel. Tal expressão era usada como se tal apartheid já fosse um fato estabelecido, líquido e certo. O mais recente foi de um John Schultz, que escreveu: “Sempre que se critica Israel, algumas pessoas se põem na defensiva e dizem que é uma crítica anti-semita. Eu pergunto se esta é a maneira correta de interpretar um artigo publicado por John Catalinotto da coalizão ANSWER [o grupo de Ramsey Clark]. Numa demonstração pública, o líder da comunidade árabe em Israel, Mohamed Kanana, criticou Israel por suas políticas de apartheid dando o exemplo de que os árabes são 20% da população israelense mas estes 20% possuem somente 3% da terra”.’ Tenho ficado impressionado pelas suas denúncias contra a OLP e agora eu gostaria de ler uma denúncia do outro lado, ou você acredita que pelo fato de Kanana criticar Israel ele é um anti-semita?” [1].

O Sr. Schultz fez uma pergunta capciosa. Primeiro, a palavra “criticar” sugere intenção honesta, como quando alguém diz “Não fique na defensiva; ouça minhas críticas”. Mas o Sr. Kanana citado pelo Sr. Schultz, não está criticando Israel, está mentindo. Segundo, na declaração “Mohamed Kanana critica o sistema de apartheid de Israel”, fica subentendido que tal sistema de fato existe em Israel. Pretendo provar que isto é um absurdo.

Está certo criticar Israel? Certamente, mas não está certo mentir para gerar apoio ao terrorismo. Se alguém espalha o rumor de que você é um serial killer, e você não é, mas uma turba de linchamento se prepara para invadir sua casa, você certamente não considerará isto uma ‘crítica’. O establishment ocidental e seus aliados nos países árabes estão engajados numa campanha para deslegitimar o Estado de Israel. Esta campanha é municiada por distorções sistemáticas na mídia, por mentiras das lideranças acadêmicas árabes e ocidentais e por organizações anti-Israel.

Será o Sr. Kanana, pessoalmente, anti-semita? Não o conheço e não posso responder, mas posso dizer isto: é um mentiroso e sua mentira contribui para o anti-semitismo, como veremos adiante. Primeiro vamos nos ater à questão da propriedade da terra.

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Uma Mentira Esperta

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Estará o Sr Kanana factualmente errado a respeito da propriedade da terra por parte dos árabes em Israel? Não, factualmente não. As percentagens estão corretas. Então, onde está a sua mentira? Espertamente, numa omissão. Ele deixa de lado um fato crucial: os judeus são 80% da população mas possuem apenas 3,5% da terra! Consideremos estes números: 20% possuem 3% e 80% possuem 3,5%.

 

 Portanto, judeus e árabes possuem aproximadamente a mesma quantidade de terra, embora existam quatro vezes mais judeus do que árabes em Israel! Dito de outra forma: os árabes israelenses possuem o dobro do que seria de esperar baseados nas percentagens relativas. Isto é exatamente o oposto do que afirma o Sr. Kanana com seu argumento. De fato, se aceitarmos sua linha de argumentação, são os judeus israelenses, não os árabes, que seriam vítimas de um “apartheid”. Mas o Sr Kanana sabe que sua audiência não tem o menor conhecimento de que 93,5% da terra em Israel é estatal ou controlada pelo Estado. Somente, portanto, 6,5% são disponíveis para investimentos privados. Destes os árabes possuem uma quantidade desproporcionalmente grande. Os outros 93,5% não podem ser vendidos, somente alugados para a população, sejam muçulmanos, cristãos ou judeus.

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Trivializando A Palavra “Apartheid” E Difamando Israel

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Se o Sr. Kanana estivesse certo ao dizer que os árabes possuem uma proporção menor da terra de Israel (note-se que as “provas” por ele apresentadas sugerem exatamente o oposto) isto *não* provaria que Israel possui um sistema de apartheid. Pois este não significa discriminação quanto ao uso da terra. (Por este critério virtualmente todos os países teriam apartheid, já que tal discriminação é generalizada). O termo “apartheid” se refere ao sistema existente na África do Sul, onde leis draconianas dividiam a população em “raças” definidas de acordo com uma ideologia semelhante à nazista; significa a segregação destas supostas raças que ficavam condenadas a condições de vida radicalmente diferentes; significa a sanção do discurso de ódio, no qual o racismo se torna uma ideologia de Estado. Se Israel possuísse um sistema de apartheid, seus inimigos teriam que apontar para leis baseadas na teoria de raças superiores e inferiores, e terror policial que as reforçasse. Teriam que apresentar evidências estatísticas dos resultados do apartheid: haveria diferenças extremas entre judeus e árabes e indicadores estatísticos que mostrassem as diferenças de mortalidade infantil e de expectativa de vida, como ocorria na África do Sul entre brancos e negros. Os atacantes profissionais de Israel nunca mencionam tais estatísticas pois elas indicam que os árabes israelenses vivem melhor que em qualquer outro país do Oriente Médio [2].

Uma característica importante do apartheid sul-africano era que os negros não possuíam nenhum dos direitos democráticos. Os que atacam Israel querem que acreditemos que os árabes israelenses estão na mesma situação em que estiveram os negros sul-africanos. Mas os árabes israelenses se candidatam a cargos oficiais e votam para o parlamento, que decide o governo de Israel. Fazendo uma comparação, como os árabes se saem, neste aspecto, nos assim chamados “países árabes”? Algum árabe tem direito democrático na Arábia Saudita? Nenhum, a não ser que se leve em consideração o “direito” de apoiar a família real (existem onze organizações de polícias secretas para lidar com os que não a apóiam). Se os árabes da Líbia ou do Egito se opõem à propaganda de ódio anti-semita ou se dizem simpáticos a Israel, podem ser presos ou coisa pior. E na monarquia jordaniana, os árabes têm algum direito democrático? E na Síria, controlada pelo Partido Baath? São todas cruéis ditaduras. O que Kanana fez é típico da propaganda anti-Israel. Ele fez uso da visão fantasiosa sobre o Oriente Médio, na qual grupos como a OLP são vistos como combatentes da liberdade similares ao movimento pelo direitos civis de Martin Luther King, com exceção da violência. Os propagandistas anti-Israel construíram esta falsa imagem, comparando os árabes palestinos aos negros da África do Sul ou dos EEUU nos tempos da segregação – e os judeus aos brancos racistas nestes países. Kanana conhece a ignorância de sua audiência das realidades básicas do Oriente Médio, onde metade da população judaica de Israel é constituída de refugiados do terror nos países árabes, onde o racismo contra judeus e africanos sub-saarianos é comum. Tirando vantagem do modelo ficcional do Oriente Médio que existe nas mentes ocidentais, Kanana e outros propagandistas lançam maciçamente mentiras sabendo que algumas vão “colar” [3].

Além do fato de que os árabes são tratados melhor em Israel do que em *todos* os países árabes, a tentativa de comparar Israel com a África do Sul do apartheid ignora outros fatos [4]. De um lado, a chegada dos brancos na África do Sul é relativamente recente, diferente da situação no Oriente Médio. O único país que já existiu no território hoje ocupado por Israel foi ... Israel. Depois do genocídio romano de 2000 anos atrás, os judeus têm continuamente vivido no que é seu país, apesar dos insultos e ofensas. Deve-se ter em conta a situação precária da maioria dos judeus em Jerusalém em meados do século XIX, relatada até por Marx, que era um anti-semita para o qual deve ter sido muito difícil aceitar falar desses sofrimentos. Outra coisa: o apartheid da África do Sul era um pesadelo, oriundo da “ciência” lunática da “eugenia”, que os racistas de lá aparentemente foram buscar na Alemanha, mas cujas fontes estão no próprio establishment norte-americano. Os eugenistas têm particular desprezo por dois grupos: os povos de pele escura da África Tropical, e ... os judeus [5]. A eugenia, que estatui a existência de grupos “racialmente inferiores”, vai contra a realidade de Israel, onde discursos racistas e discriminação são ilegais. Por outro lado, as instituições palestinas de Gaza e da Margem Ocidental pregam que os judeus são sub-humanos e devem ser aniquilados (isto não lembra algum líder nazista?) [6].

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Mentindo Sobre O Apartheid, Mentindo Sobre O Dr. King

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Poucos dias depois de ter recebido o e-mail do Sr Schultz, chegou outro de um grupo pró-OLP, exortando todos a se juntarem a eles para comemorar o aniversário de Martin Luther King, da forma (supostamente) “mais adequada”, “marchando contra o apartheid israelense”. Há muitos anos eu participei do movimento pelos Direitos Civis nos EEUU. Um dos meus heróis era John Lewis, que liderava o Comitê dos Estudantes Contra a Violência de 1963-66. Lewis era amigo de Martin Luther King, portanto uma fonte confiável a respeito das opiniões do Dr. King sobre Israel .  O que se segue é retirado do  website do congressista Lewis:

“Durante sua vida King testemunhou o nascimento de Israel e a contínua luta para construir uma nação. Ele várias vezes se referiu ao conflito israelo-palestino, dizendo ‘o direito de Israel de existir como um país seguro é incontestável’. Não foi por acaso que King enfatizou a segurança em suas declarações sobre o Oriente Médio. Em 25 de março de 1968, menos de duas semanas antes de sua morte trágica, ele disse de forma clara e direta: ‘a paz significa para Israel a segurança, e nós devemos fazer tudo o possível para proteger seu direito de existir, sua integridade territorial. Para mim Israel é um dos principais postos avançados da democracia no mundo e um exemplo maravilhoso do que pode ser feito, de como um deserto pode ser transformado num oásis de irmandade e democracia. Paz, para Israel, significa segurança, e esta última deve ser uma realidade’”.

[http://www.house.gov/johnlewis/oe_i_have_dream.html].’’

Estas eram as palavras de King quase um ano após a Guerra dos Seis Dias – quer dizer, após os árabes terem provocado uma guerra com a intenção de cometer um genocídio, e terem perdido, deixando Israel de posse da Margem Ocidental, da Faixa de Gaza, da Península do Sinai e das Colinas de Golan. Todas estas áreas estavam sendo usadas como pontos de apoio para lançar ataques militares contra o Estado de Israel e/ou ataques terroristas contra civis israelenses. Logo depois da guerra, o Primeiro Ministro de Israel, Levi Eshkol, ofereceu de volta estas áreas em troca de uma mera promessa de paz. Todos os líderes árabes recusaram esta oferta gratuita, o que mostra que seu poder na sociedade árabe depende da manutenção de suas repetidas promessas de aniquilamento dos judeus. O Dr. King não caiu na falsidade da suposta ocupação porque os líderes árabes deixaram claro que, se eles tivessem a terra de volta, eles a usariam mais uma vez para tentar destruir Israel. Portanto, que não se tente matar novamente o Dr. King espalhando a mentira de que ele era um defensor do terror anti-israelense.

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Notas, Comentários e Outras Fontes de Leitura

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[1] O ex Procurador-Geral, Ramsey Clark, é tido hoje como esquerdista, mas estava identificado com a ala anti-semita da direita nos anos 80. Junto com Pat Buchanan e os grupos báltico-americanos constituíram a extrema direita anti-semita nos EEUU. Clark pediu a reconciliação com os nazistas e batalhou para criminosos de guerra que o Departamento de Justiça tentava deportar. Ver documentário “Como Ramsey Clark trabalhou para proteger imigrantes nazistas” em: http://emperors-clothes.com/ramsey/ramsey4.htm

[N. do T. – Procurador-Geral (Attorney General) é o equivalente a Ministro da Justiça no Brasil, com algumas atribuições diferentes. Ramsey Clark exerceu este cargo no Governo Lyndon Johnson]

[2] Estamos preparando um artigo comparando árabes israelenses com judeus israelenses, e árabes de Israel com árabes dos países circunvizinhos, usando estatísticas sobre expectativa de vida e mortalidade infantil. Já posso dizer com certeza que, baseados nessas estatísticas, os árabes vivem bem melhor em Israel do que nos países árabes. Se elas fossem examinadas por um marciano ele poderia perguntar: “existe discriminação contra árabes na Arábia Saudita, Egito e Líbia?”

[3] O website Jimena (judeus nativos do Oriente Médio e da África do Norte), tem muitas informações sobre centenas de milhares de judeus refugiados de países islâmicos nos últimos 60 anos, e a perda da sua cultura. Por que a mídia ocidental nunca se refere a esses refugiados? Ver em:
http://www.jimena.org/

[4] A citação de Marx sobre os judeus nos meados do século XIX pode ser vista em:
http://emperors-clothes.com/docs/weinstock.htm#marx

[5] Como muitas pessoas não sabem, a eugenia, pseudo-ciência da suposta evolução racial, era abertamente praticada nos EEUU na primeira metade do século XX. O objetivo, eliminar os considerados indesejáveis (p. ex., negros, judeus, brancos dos Appalaches) e produzir uma “raça pura” nórdico-germânica, era apoiado por eminentes professores des universidades, incluindo Harvard. Pesquisa “eugênica” era financiada por importantes fundações. Políticas eugenistas, como as da esterilização forçada de milhares de brancos pobres, eram obrigatórias em alguns estados. A eugenia era apoiada pelo Departamento de Estado. Era exportada pelo establishment para os nazistas que a usaram como base e racionalização para o morticínio dos untermenschen – judeus, eslavos, etc. Este assunto foi discutido no livro de Edwin Black, “War Against the Weak”: “Finalmente, fora dos olhares do mundo, em Buchenwald e Auschwitz, médicos eugenistas como Josef Mengele, levavam avante as pesquisas começadas anos antes com financiamento americano, incluindo grants da Rockfeller Foundation e da Carnegie Institution.” (Citação tirada do cap. 1. Para ler e Introdução, muito informativa, ir a
http://waragainsttheweak.com/intro.php )

O apartheid sul-africano era, aparentemente, inspirado na eugenia germânica. E foi a eugenia de Hitler, com seu ódio aos judeus, que o aproximou do extremista árabe Hajj Amim al-Husseini, o Mufti de Jerusalém, que ascendeu à liderança palestina através do assassinato de adversários e a conduziu, nos próximos 50 anos, através da doutrinação dos atuais líderes com seu gangsterismo e ódio racial. Hajj Amin teve forte influência na implementação da “Solução Final”:
http://emperors-clothes.com/docs/bakera.htm#wis

[6] Sobre o violento racismo dos meios de comunicação da Autoridade Palestina (AP), o grupo observador MEMRI, traduziu sermões transmitidos pela TV da AP  nos últimos 3 anos. Podem ser vistos em: http://stream.realimpact.net/nihur1.ram?file=realimpact/memri/memri_v2.rm

 


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Para mais artigos do Emperor's Clothes
sobre o anti-semitismo e sua história, o conflito árabe-israelense, etc.